Thursday, June 20, 2019

Analfabetismo no Brasil



Analfabetismo no Brasil cai entre 2016 e 2018 de 7,2% para 6,8%
É o que revela pesquisa do IBGE
Publicado em 19/06/2019 - 10:01
Por Cristina Índio do Brasil - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro






Analfabetismo
O analfabetismo no Brasil caiu entre 2016 e 2018. Na faixa entre 15 anos ou mais, passou de 7,2% em 2016 para 6,8% em 2018. No ano passado, eram 11,3 milhões de pessoas nesta condição.
Na comparação com 2017, a queda de 0.1 ponto percentual corresponde a menos 121 mil analfabetos entre os dois anos. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Educação 2018 (Pnad Educação), divulgada hoje (19), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, o analfabetismo no Brasil está diretamente associado à idade. Quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de analfabetos.
Assista à reportagem da TV Brasil

Nas pessoas de 60 anos ou mais, a taxa declinou de 20,4% para 18,6%, o mais alto percentual entre as faixas de idade. A taxa de 2018 equivale a quase 6 milhões de analfabetos.
O percentual de mulheres é maior (19,1%) que o dos homens (18%), mas quando a análise é entre 15 ou mais anos, as mulheres têm taxa menor (6,6%) do que os homens (7%). Segundo o IBGE, entre os mais velhos, o analfabetismo, em grande parte, ocorre por questões demográficas, como o envelhecimento da população.
Apesar da queda no analfabetismo, o Brasil pode não cumprir a meta de erradicação em 2024 para a faixa de 15 anos ou mais. Segundo a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE (Coren), Marina Aguas, a queda verificada entre 2016 e 2018 é significativa em termos estatísticos, mas até 2024 muita coisa pode acontecer.
“Tem uma meta intermediária que foi de 2015, que era de o analfabetismo ser de 6,5%. Até agora a gente não cumpriu a meta intermediária e a erradicação do analfabetismo em 2024. Para alcançarmos essa erradicação, os desafios são grandes, mas para acontecer vai depender do que a política pública vai fazer por este grupo para que essas pessoas sejam alfabetizadas”, observou a analista.
Cor ou raça
Na análise de cor ou raça a diferença é grande. Em 2018, 3,9% das pessoas de 15 anos ou mais analfabetas eram brancas, enquanto as pessoas pretas ou pardas eram 9,1%.
Com 60 anos ou mais, a diferença é ainda maior. As brancas são 10,3% e as pretas e pardas, 27,5%.
Analfabetismo por regiões
Embora tenha registrado no período 2017 e 2018 uma queda de 14,48% para 13,87% na faixa de 15 anos ou mais, o Nordeste é a região com maior percentual, seguido do Norte (7,98%), Centro-Oeste (5,40%), Sul (3,63%) e Sudeste (3,47%).  As diferenças se mantêm na faixa de 60 anos ou mais. No Nordeste são 36,87, no Norte 27,02%, no Centro-Oeste 18,27%, no Sul 10,80% e no Sudeste 10,33%.
Nível de instrução
Outro dado que chamou atenção no Brasil em termos educacionais entre 2016 e 2018 foi o percentual maior de pessoas que concluíram pelo menos as etapas básicas de educação obrigatória, que é chegar, no mínimo, ao ensino médio completo.
A taxa subiu de 45% em 2016 para 47,4% em pessoas com 25 anos ou mais. Em 2018, as mulheres nesta situação (49,5%) eram em maior quantidade que os homens (45%).
As pessoas brancas somavam 55,8%, enquanto as pretas e pardas, 40,3%. Quando a análise se refere aos sem instrução, o percentual caiu de 7,8% para 6,9%.
Para o IBGE, como as trajetórias educacionais variam ao longo da vida, o indicador é melhor avaliado entre as pessoas que já poderiam ter concluído o processo regular de escolarização, em geral, em torno dos 25 anos.
Também nesses dados, as diferenças regionais chamam atenção. No Nordeste, apesar do número de pessoas com ao menos a etapa do ensino básico completo ter crescido em 2018 (38,9%), ainda é baixo em relação às outras regiões.
No Centro-Oeste é de 48,7%, no Sul (45,7%), no Norte (43,6%) e no Sudeste (53,6%). “É uma diferença grande”, disse Marina Aguas.
Metodologia
A Pnad Contínua levanta trimestralmente, por meio de questionário básico, informações sobre as características básicas de educação para as pessoas de 5 anos ou mais de idade.
A partir de 2016, começou a incluir o módulo anual de educação, que, durante o segundo trimestre de cada ano civil, amplia a investigação dessa temática para todas as pessoas da pesquisa.
Saiba mais

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Wednesday, June 12, 2019

Alfabetização


Crianças pobres se alfabetizam mais tarde que as ricas, diz economista
Desafios da alfabetização estão em debate nesta segunda em São Paulo
Publicado em 10/06/2019 - 16:52
Por Ludmilla Souza - Repórter da Agência Brasil São Paulo





Alfabetização
Mais da metade das crianças brasileiras chegam ao final do 3° ano do ensino fundamental sem saber ler e compreender textos variados, o que prejudica o aprendizado dos demais componentes curriculares nas diferentes etapas de formação. É o que revela a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA 2015). Este e outros desafios do século 21 na alfabetização estão sendo debatidos hoje (10) pelo Instituto Ayrton Senna, que reuniu educadores e especialistas na área para apresentar possíveis caminhos e políticas públicas para que crianças e jovens tenham oportunidade de desenvolver todo seu potencial.

Ricardo Paes de Barros, subsecretário de Ações Estratégicas da SAE/PR, durante reunião de ministros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no Palácio Itamaraty (José Cruz/Agência Brasil)
 No Brasil, crianças pobres se alfabetizam um ano mais tarde que as mais ricas, diz o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros - José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
O economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, apresentou um diagnóstico da alfabetização no Brasil, no qual um dos dados preocupantes é que crianças pobres se alfabetizam um ano mais tarde do que as ricas. "No nosso sistema educacional, a alfabetização desnivela o ponto de partida, o que é péssimo para quem acredita que a educação é a base para construir uma sociedade mais igualitária", afirmou Barros.

Para o economista, o analfabetismo tem grande impacto enorme sobre o que acontece no dia a dia. "Na hora em que a pessoa sai de casa, vai fazer uma compra, vai pegar um ônibus. Enfim, tem uma consequência de longa duração naquilo que a pessoa vai conseguir alcançar no seu projeto de vida."

O diagnóstico mostra que, no Brasil. 55% das crianças ao final do 3° ano têm proficiência inadequada em leitura e 54% em matemática. A Meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE) é alcançar 0% em 2024.

"Os resultados [do diagnóstico] mostram a importância da alfabetização. E é importante perceber que o número de matrículas está caindo acentuadamente por causa da transição demográfica e porque estamos reduzindo a taxa de distorção idade/série", disse o economista. Ele acrescentou que, com isso, haverá cada vez menos crianças para ser alfabetizadas. "Com o aumento das funções docentes e da qualificação dos professores e com a estabilidade no gasto com a educação, vamos ter mais oportunidades para gerar uma alfabetização de melhor qualidade", afirmou o economista.

Barros ressaltou que, ainda assim, há municípios que conseguem alfabetizar com recursos muito limitados. "Mesmo assim, [essas cidades] conseguem ter um sistema muito resiliente e conseguem alfabetizar as crianças de maneira impressionante."

Um desses municípios é Sobral, no Ceará. Na reunião desta segunda-feira, o prefeito Ivo Gomes falou sobre as experiências que Sobral fez para mudar as baixas taxas de alfabetização nos municípios. Em 2000, a taxa de abandono escolar nos anos iniciais era de 6,74% e de 21,14% nos anos finais. No ano passado, a taxa mudou para 0% e 0,10%, respectivamente.

"O município tem criado metas para que o aluno possa superar a média brasileira em leitura, matemática e ciências", disse Ivo Gomes. Segundo o prefeito, o município tem trabalhado no fortalecimento da gestão escolar e da ação pedagógica e na valorização do magistério. "O professor é o coração do sistema público de ensino", enfatizou.

Para Gomes, isso se deve à vontade de melhorar o ensino. "Na educação não há político, e sim políticas públicas", concluiu.
Cooperação técnica
Durante o evento, também foi assinado o termo de cooperação técnica entre o Instituto Ayrton Senna e o Conselho Nacional da Educação para estudos de alfabetização integral. "O Instituto e o CNE vão trabalhar juntos na perspectiva de olhar para o futuro e nas diretrizes próximas veiculadas tanto na área de educação infantil quanto na educação fundamental, naquilo que concerne à alfabetização", disse o diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos.

Já o presidente do Conselho Nacional de Educação, Luiz Robert Curi, ressaltou que o termo vai atribuir aprendizado ao trabalho do CNE. "A presença do Instituto Ayrton Senna no acordo irá atribuir ao nosso trabalho além de uma imensa riqueza, um imenso aprendizado no contato com o conjunto da sociedade", disse Curi.

Edição: Nádia Franco
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Saturday, May 25, 2019

Preservar nossas universidades


Ministro diz ser contra cobrar mensalidade em universidade federal
Publicado em 22/05/2019 - 15:10
Por Mariana Tokarnia Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Brasília




O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse hoje (22) ser contra a cobrança de mensalidade de estudantes de graduação em universidades federais. Ele defende, no entanto, a cobrança de mensalidade na pós-graduação. Weintraub participou de audiência na Comissão de Educação na Câmara dos Deputados.

“Sou contra cobrar de alunos de graduação. Em uma análise de custo e retorno, a gente vai gastar uma energia gigantesca para pouca receita que vai pegar de poucos alunos que são de famílias ricas e vão pagar”, disse.



 Abraham Weintraub: “Sou contra cobrar de alunos de graduação"    (Marcelo Camargo/Agência Brasil_

Na semana passada, uma pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostrou que 70,2% dos estudantes das federais são de baixa renda.

O ministro defendeu, no entanto, que sejam cobradas taxas de estudantes de pós-graduação. “Não é toda [pós], é aquela que tem visão de mercado. Dessa poderia cobrar e daria mais receita custo energia e retorno para universidades”, afirmou. Atualmente, as universidades podem cobrar de estudantes de pós-graduação lato sensu, que são aquelas que têm caráter de especialização e, ao final, dão direito a um certificado, e não a um diploma, como no caso de mestrados e doutorados.

Segundo o ministro, as universidades precisam diversificar a fonte de receita. “As universidades poderiam utilizar o patrimônio. Tem universidade rica em termos de imóveis. Elas podem criar fundos imobiliários, com toda a governança possível, blindado, negociado na bolsa, CVM [Comissão de Valores Mobiliários], para evitar qualquer desvio, e essa receita ir direto para universidade, para pesquisa, para o aluno. Esse tipo de solução que a gente quer trazer”, explicou.

“Precisamos remodelar a estrutura das universidades e dar liberdade para elas crescerem, como é lá fora, a universidade é centro de riqueza e conhecimento, gera riqueza. Aqui no Brasil, do jeito que está, é uma draga de recursos”, apontou.

Para equilibrar as contas públicas, o governo federal contingenciou 3,4% do orçamento total das universidades federais. O bloqueio atinge, segundo a Andifes, em média, 29,74% dos recursos discricionários, ou seja, recursos não obrigatórios.

Esses recursos, segundo a associação, são usados principalmente para o pagamento de energia elétrica e vigilância, que comprometem a maior parte dessas despesas. Além disso, são usados para pagar serviços de limpeza, manutenção predial e de equipamentos, conta de luz e telefone.
Edição: Kleber Sampaio

Saturday, April 13, 2019

Isenção da taxa do Enem 2019


Mais de 3,6 milhões de estudantes pediram isenção da taxa do Enem 2019

Publicado em 12/04/2019 - 14:27
Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Brasília

Candidatos aguardam abertura do portões do UniCEUB em Brasília, para o primeiro dia de provas do Enem 2018

Ao todo, 3.687.527 estudantes solicitaram a isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, de acordo com balanço divulgado hoje (12) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O resultado final, ou seja, se os pedidos foram aceitos ou não, será divulgado no dia 17 de abril, na Página do Participante. Também no dia 17 será divulgado o resultado das justificativas dos estudantes que não pagaram o Enem 2018 e que, por algum motivo, faltaram às provas. Para pedirem isenção novamente este ano, esses estudantes tiveram que apresentar uma justificativa da ausência. 

Para consultar o resultado, será necessário informar o CPF e senha criada na hora de fazer a solicitação. O prazo para pedir a isenção da taxa do Enem terminou na última quarta-feira (10). A taxa de inscrição deste ano é R$ 85. Os estudantes que não tiverem a solicitação aceitam poderão entrar com recurso, no período de 22 a 26 de abril, também na Página do Participante. O resultado do recurso será divulgado, no mesmo endereço, a partir de 2 de maio. Para participar do exame, os estudantes, com ou sem isenção da taxa, devem fazer a inscrição no período de 6 a 17 de maio.
Estudantes isentos 
Têm direito à isenção da taxa os estudantes que estão cursando a última série do ensino médio em 2019 em escola da rede pública; aqueles que cursaram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsista integral na rede privada, com renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio, o que, em valores de 2019, equivale a R$ 1.497.
São também isentos os participantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ou seja, membros de família de baixa renda com Número de Identificação Social (NIS), único e válido, com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 499), ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.994).
Enem 2019
O Enem será aplicado nos dias 3 e 10 de novembro. No primeiro dia de prova, os participantes responderão a questões de linguagens e ciências humanas e farão a prova de redação. Para isso, terão 5 horas e 30 minutos no segundo dia, os estudantes terão 5 horas para resolver as provas de ciências da natureza e matemática.
Os gabaritos das provas objetivas serão divulgados no Portal do Inep e no aplicativo oficial do Enem até o dia 13 de novembro. O resultado será divulgado, conforme o edital, em data a ser divulgada posteriormente. As notas do Enem podem ser usadas para ingressar em instituição pública pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para obter bolsas de estudo em instituições particulares de ensino superior pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Edição: Sabrina Craide
DÊ SUA OPINIÃO SOBRE A QUALIDADE DO CONTEÚDO QUE VOCÊ ACESSOU.
Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.
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Monday, March 25, 2019

Livros Publicados


Narrativas não expressam diversidade brasileira, dizem escritoras
Publicado em 23/03/2019 - 20:01
Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil São Paulo

Movimento na abertura da 34ª Feira do Livro de Brasília.

Mais de 70% dos livros publicados no Brasil entre 2005 e 2014 são de homens, com uma predominância de 97,5% de autores brancos, revela pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UNB). Para escritoras brasileiras, o dado expressa uma realidade sentida por autoras que reivindicam “narrativas a partir de outras vozes”. “A gente escreve sobre um universo que nos é familiar. Como essa literatura feita hoje chega a um leitor que não se identifica com esse universo’’. Questionou a escritora Ana Maria Gonçalves, autora de “Um defeito de cor”.

Ela participou esta semana em São Paulo, junto com a também escritora Bianca Santana e a chilena Sara Bertrand, do Seminário Leitura e Escrita: lugares de fala e visibilidade, no qual debateram sobre o tema “Direitos Humanos e Literatura”. “A gente luta pela diversidade dessas histórias, dessas mulheres e homens negros que estão aí tentando fazer uma literatura, que dificilmente vai chegar até vocês. É algo que tem que ir atrás. Quando você quer só ler mulheres negras, tem que ir atrás, perguntar, não é espaço fácil. Outras histórias precisam ser contadas”, disse Ana Maria.
Sara Bertrand também enfatiza a necessidade de uma literatura plural. “Existe um coro de vozes que merecem ser escutados. Merecemos. O mundo talvez fosse diferente se deixassem de temer a linguagem e começarmos a entender a causa desse medo, medo de começar a escutar as mulheres, os homossexuais”, disse a autora de “A mulher da guarda”. Nascida na ditadura chilena (1973-1990), a escritora aponta que essa experiência marca sua escrita. “Não vejo distinção entre o que escrevo a partir da memória, da identidade e a pergunta ‘para onde vai a humanidade? ’”.
Trajetórias
As autoras destacam a importância da própria trajetória na construção das narrativas. Um defeito de cor foi um livro chave na formação da minha identidade. A gente que tem essa identidade mestiça no Brasil, minha mãe é negra e meu pai é branco, desde muito cedo as pessoas te incentivam a abandonar essa negritude”, relatou. Ela conta que ao escrever este livro buscou histórias que não teve acesso. “Uma história que me foi negada historicamente, socialmente, culturalmente e que me foi negada a ponto de quererem que eu não seja parte desse lado”, explicou. A obra é sobre uma africana idosa e cega que viaja ao Brasil em busca do filho perdido há décadas.

Bianca Santana conta que também trouxe de suas experiências e da “necessidade de saber” a base para a sua escrita. “Veio da necessidade de saber as histórias de qualquer coisa que não sei o que é. Gosto muito de ouvir histórias”. Ela relembrou episódios da infância em que ficava fascinada pelo mundo dos livros, mas que estranhava histórias distantes da sua realidade. “Lembro de perguntar muito para minha mãe e avó: ‘Mas é as histórias indígenas? ’. Não tinha tanto acesso à informação. E elas falavam: ‘Mas índio não escreve, menina. Que bobagem! ’”, contou.
Pesquisa
O levantamento desenvolvido pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB) revela também que mais de 60% dos autores moram no eixo Rio-São Paulo. A pesquisa, que traça um panorama dos romances brasileiros, analisa três períodos: de 1965 a 1979, de 1990 a 2004 e 2005 a 2014. Em relação ao sexo dos autores, percebe-se que há um pequeno avanço na participação feminina entre o segundo (27,3%) e o terceiro período (29,4%). O percentual na década de 1970 era de 17,4%. Em relação à questão racial, a participação de brancos se ampliou, passando de 93% de 1965 a 1979, chegando a 93,9% de 1990 a 2004 e alcançando 97,5% de 2005 a 2014.
Para a coordenadora do estudo Regina Dalcastagnè, professora do Departamento de Teorias Literárias e Literaturas da UNB, os dados demonstram que o racismo estrutural na sociedade brasileira também está presente no meio literário. “O racismo, quando não exclui simplesmente, dificulta o acesso dos negros a todos os espaços legitimados de produção e enunciação de discursos – espaços de poder, em suma. Não se trata de acusar um editor ou outro de ser racista ao não publicar autores negros, é mais complexo que isso, e por isso mesmo é pior”.
Ela avalia que o campo literário – formado por escritores, editores, críticos, professores, jornalistas, curadores, bibliotecários, leitores – aceita “muito mal a produção de autores negros”. “Quando muito, coloca-a em um nicho para evitar que se misture à Literatura com ‘l’ maiúsculo, aquela coisa que não teria cor, sexo, classe, orientação sexual, idade”, apontou. Para a pesquisadora, no entanto, esse contexto vem, aos poucos, se alterando. “Nunca tivemos tantos escritores negros e negras produzindo e sendo lidos – é preciso lembrar que o acesso dos negros ao letramento no Brasil foi muito tardio e que o acesso às universidades é recentíssimo”.
Regina Dalcastagnè avalia que redes sociais, publicações independentes, coletivos de escritores, pequenas editoras têm apontados novos caminhos na democratização da literatura. “O caminho não parece ser o das grandes editoras, das grandes livrarias e da grande mídia”.
Saiba mais

Edição: Valéria Aguiar