Wednesday, December 30, 2020

Animais tornam solo mais fértil de acordo com estudo .

 Grandes mamíferos tornam solo da floresta mais fértil

Grandes mamíferos tornam solo da floresta mais fértil


André Julião  |  Agência  Os queixadas (são porcos-do-mato que vivem em bandos de 50 a 100 indivíduos e comem um pouco de tudo, mas na Mata Atlântica têm preferência pelos frutos da palmeira juçara . A grande produtividade da juçara, porém, provavelmente só é possível porque os animais fazem uma eficiente “adubação” do solo. As enormes quantidades de fezes e urina que catetos, antas, queixadas e outros animais que se alimentam de frutos deixam no chão liberam formas de nitrogênio, importante elemento para o crescimento das plantas.

Um estudo apoiado pela FAPESP, , mostrou que em áreas livres desses grandes mamíferos a quantidade de amônia, uma forma de nitrogênio no solo, era até 95% menor. Os resultados mostram, pela primeira vez, a importância dos grandes mamíferos também para o ciclo de nitrogênio nas florestas tropicais e é mais um alerta sobre os riscos da perda desses animais.

“Qualquer produtor rural sabe que é preciso nitrogênio no solo para uma boa produtividade. Estudos em outros ambientes já mostraram que a presença de ruminantes estimula o crescimento de gramíneas, por conta do aporte de nitrogênio dos excrementos e pela otimização da atividade dos microrganismos envolvidos na ciclagem desse nitrogênio no solo. Mostramos agora que o mesmo efeito ocorre em florestas tropicais com grandes mamíferos frugívoros”, disse  Nacho Villarprimeiro autor do artigo e a bolsista de pós-doutorado da FAPESP no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro.

O estudo mostra ainda que esses animais redistribuem o nitrogênio, fertilizando áreas que sem eles seriam muito pobres desse elemento e, portanto, com baixa produtividade vegetal. Os pesquisadores estimaram que, com os grandes mamíferos, esses locais recebem quatro vezes mais amônia e 50 vezes mais nitrato, em comparação a áreas sem essa fauna.

O estudo integra o projeto Consequências ecológicas da defaunação na Mata Atlântica, coordenado por professor do IB-Unesp, no âmbito do programa BIOTA-FAPESP. Atualmente, Villar realiza estágio de  pós-doutorado no Centro de Ecologia dos Países Baixos (NIOO).

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram parte do maior experimento de exclusão de grandes mamíferos da América do Sul. Trata-se de 86 parcelas de floresta de 15 metros quadrados no Parque Estadual da Serra do Mar. Metade delas é cercada desde 2010, impedindo a entrada de grandes mamíferos. Nas outras áreas demarcadas, todos os animais transitam livremente. Uma amostragem das áreas conta com armadilhas fotográficas, que comprovam a presença ou ausência de queixadas, catetos , entre outros.

Microrganismos, amônia e nitrato

No estudo atual, foram analisadas amostras de solo de oito parcelas cercadas e oito abertas, colhidas na estação chuvosa e na seca, em áreas com diferentes graus de abundância de palmeiras juçara. Nas áreas em que os grandes mamíferos não entram, as concentrações de amônia foram até 95% menores do que nas parcelas onde eles circulam livremente.

Além disso, constatou-se que na presença dos animais a amônia é convertida em nitrato mais rapidamente, por conta dos microrganismos presentes no solo que ajudam nessa conversão. Apesar de as plantas também absorverem amônia, o nitrato pode ser usado imediatamente no seu metabolismo. Por isso, é geralmente considerado mais valioso do ponto de vista da fisiologia vegetal.

“Os queixadas compõem entre 80% e 90% de toda a biomassa de mamíferos da Mata Atlântica, circulam por territórios extensos em grandes grupos, fertilizando a floresta. As antas, por terem uma densidade mais baixa, têm uma participação menor no ciclo de nitrogênio, mas a quantidade de excrementos de cada indivíduo e a área que percorrem é considerável, inclusive dispersando sementes”, afirma Villar. Outro estudo do grupo já havia mostrado o papel de antas e queixadas na diversidade e abundância de espécies vegetais 

Essa grande biomassa de animais frugívoros é atraída pela enorme produção de frutos da juçara, que por sua vez tem o solo fertilizado pelos excrementos e provavelmente frutificam mais, gerando um ciclo positivo para os animais, para as plantas e para os microrganismos do solo, que são estimulados pela presença de excrementos. Por isso, os pesquisadores propõem no trabalho o termo “sítios de frutificação”  consistente com o conceito de “sítios de pastagem” usado para descrever processo semelhante em ambientes como as savanas africanas, onde os animais são ruminantes e a vegetação composta de gramíneas.

Nos próximos passos da pesquisa, o grupo pretende investigar se o aporte maior de nitrogênio possibilitado pela interação de grandes mamíferos e plantas faz com que estas absorvam mais carbono da atmosfera e o solo libere menos gases do efeito estufa. Com isso, a interação entre plantas e animais teria ainda um papel importante na regulação das mudanças climáticas globais.

Tuesday, December 22, 2020

Museu faz homenagens a negros vitimas de violência.


Museu Afro faz exposição em homenagem a negros vítimas da violência

O Museu Afro Brasil, localizado no Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo, abriu hoje (19) a exposição Foram os homens e mulheres negras que construíram a identidade nacional, que homenageia pessoas negras assassinadas, vítimas da violência. A mostra terá murais dos artistas Diego Mouro, Énivo, Kika, Melim, Speto, e Zeh Palito.

Entre os homenageados estão João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte por seguranças em uma unidade da rede Carrefour, em Porto Alegre e os nove jovens mortos no dia 2 de dezembro de 2019 na comunidade de Paraisópolis, zona Sul de São Paulo, em uma ação da Polícia Militar: Bruno Gabriel dos Santos, Dennys Guilherme dos Santos Franco, Denys Henrique Quirino da Silva, Eduardo da Silva, Gabriel Rogerio de Moraes, Gustavo Cruz Xavier, Luara Victoria Oliveira, Marcos Paulo Oliveira dos Santos, Mateus dos Santos Costa.

A mostra também lembrará do artista plástico, rapper e skatista, Wellington Copido Benfati, conhecido como Negovila Madalena, morto por um policial militar quando tentava apartar uma briga na porta de uma distribuidora de bebidas.

A exposição ocorre na área externa do Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, na Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10.

Noticias:https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2020-12/museu-afro-faz-exposicao-em-homenagem-negros-vitimas-da-violencia


Thursday, December 17, 2020

Brasileiros são destaques na participação do brasil no festival do cinema realizado na russia

 


Lázaro ramos e Daniel filho dominam participação brasileira em festival de cinema do BRICS em moscou

Indicada para prêmios com os filmes "Silêncio da Chuva" e "Medida Provisória", a parceria entre os ícones do cinema nacional, Lázaro Ramos e Daniel Filho, dominou a participação do Brasil no Festival de Cinema do BRICS, realizado em Moscou.

Nesta terça-feira (6), os filmes "Silêncio da Chuva", dirigido por Daniel Filho, com elenco encabeçado por Lázaro Ramos, e o filme "Medida Provisória", dirigido por Lázaro Ramos, com produção de Daniel Filho, foram os destaques da participação brasileira no Festival Internacional de Cinema de Moscou.


Diretor Daniel Filho em seu escritório no Rio de janeiro. 

Neste ano, o Festival de Cinema do BRICS, grupo de países que compreende Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é celebrado junto com o Festival Internacional de Cinema de Moscou.

"Silêncio da Chuva" concorre ao prêmio de melhor filme do BRICS, enquanto "Medida Provisória" está no concurso principal do Festival Internacional de Cinema de Moscou.

Apesar de contar com Lázaro Ramos no papel do inspetor Espinosa, protagonista do livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, "Silêncio da Chuva" é um filme essencialmente feminino.

"O livro do Garcia-Roza é centrado nas figuras masculinas, mas durante a adaptação decidimos elevar os papéis femininos", contou o diretor Daniel Filho à Sputnik Brasil.

João Carlos Daniel Filho é diretor, produtor e ator. Dentre seus projetos mais recentes estão os sucessos de bilheteria "Se eu fosse você" partes 1 e 2, "Chico Xavier" e "Confissões de Adolescente – O Filme".

"No livro, o parceiro de trabalho de Espinosa é um homem, mas no filme optamos por colocar uma mulher, e fizemos ela ser uma pessoa engraçada, feminina e arrojada", relatou Filho.

A personagem é Daia, interpretada "excepcionalmente bem" por Thalita Carauta. O filme reproduz o esquema "muito usado no cinema" do "policial bom, policial ruim".

"Mas, em 'Silêncio da Chuva', quem faz o policial ruim é a Thalita [Carauta], que eleva a voz, é mais assertiva, enquanto o Lázaro [Ramos] interpreta o policial bom", disse Filho.

Para ele, "o Lázaro [Ramos] fez o papel muito bem. Ele acaba virando o mocinho do filme por sua própria persona, por ter muita empatia".

Durante a adaptação do livro, Daniel Filho também alterou algumas características do lendário inspetor Espinosa, protagonista de vários livros de Luiz Alfredo Garcia-Roza.

"No livro, o protagonista não é negro. Nós modificamos para explicar o racismo estrutural em um país como o nosso, que acha que não é racista", disse Filho.

Espinosa é um personagem desafiador, por ser "tanto um policial, como um intelectual".

"Ele acaba ficando mal colocado na polícia, porque não dá cascudo nas pessoas, e na sociedade, por ser um policial", contou o diretor.

Apesar dos esforços do inspetor, é a secretária Rose, interpretada por Mayana Neiva, que é capaz de dominar o vilão do filme.

Medida Provisória

Daniel Filho também encabeça a equipe de produção de "Medida Provisória", filme dirigido por Lázaro Ramos que concorre ao prêmio principal do Festival Internacional de Moscou.

"A convivência com o Lázaro foi impressionante", disse Filho. "Em 'Medida Provisória' eu fui um produtor que mais aprendeu do que falou."

No enredo, o Brasil é liderado por um governo racista que adota uma medida provisória, segundo a qual a população negra do país deve ser deportada para a África.

Perseguida, a população negra precisa se organizar para comandar a resistência e defender o seu direito de ser parte de seu próprio país.

 "Mil nações moldaram minha cara/minha voz, eu uso para dizer o que se cala/meu país é meu lugar de fala", canta Elza Soares no filme "Medida Provisória".

O filme é baseado em uma peça de teatro, chamada "Namíbia, Não", do dramaturgo baiano Aldri Anunciação.

"Uma peça de teatro fascina a gente quando pode ser transformada em um bom filme", disse o produtor do filme, Daniel Filho.

O elenco também impressiona: Taís Araújo, Alfie Enoch, Seu Jorge, Adriana Esteves, Renata Sorrah, Emicida e Luis Miranda são alguns nomes dessa equipe que, nos sets de filmagem, era "90% formada por pessoas negras", contou Filho.

"Todos nós que estamos envolvidos com o 'Medida Provisória' somos apaixonados pelo filme. Sabemos que nosso filho não é perfeito, mas ninguém tem filho perfeito", concluiu o produtor.

Nesta quarta-feira (7), o prêmio de melhor filme do Festival de Cinema do BRICS será anunciado. O Brasil concorre com os filmes "Silêncio da Chuva", de Daniel Filho, e "Aos Pedaços", de Ruy Guerra.

Nesta quinta-feira (8), será divulgado o vencedor da competição do Festival Internacional de Cinema de Moscou, no qual o filme "Medida Provisória", de Lázaro Ramos, concorre na categoria Melhor Filme.

Noticias:https://br.sputniknews.com/cultura/2020100716189931-lazaro-ramos-e-daniel-filho-dominam-participacao-brasileira-no-festival-de-cinema-do-brics-em-moscou/