Saturday, October 14, 2017

Boa música



“Eu cheguei à alma das pessoas”, diz Lenine em entrevista à TV Brasil

  • 13/10/2017 13h12
  • Brasília
Da Agência Brasil 




O cantor pernambucano Lenine é o entrevistado do programa Conversa com Roseann Kennedy da próxima segunda-feira (16) TV Brasil 



O cantor e compositor Lenine é o entrevistado da próxima segunda-feira (16) do programa Conversa com Roseann Kennedy, da TV Brasil.

 Com mais de 30 anos de carreira e 14 álbuns lançados, Lenine se define como um colecionador de palavras e revela que as raízes pernambucanas estão sempre presentes em seu trabalho. “A gente tem essa coisa no Nordeste com o repente e as diversas modalidades do repente, essa possibilidade de você ter a rima dentro da rima, dentro da rima. Então isso é muito fascinante. As palavras são 50% do meu trabalho”.

Ganhador de cinco prêmios Grammy Latino e nove Prêmios da Música Brasileira, Lenine é engajado em assuntos políticos e de cunho ambiental e diz que sente liberdade e independência para fazer sua própria leitura da história.

“Todas as minhas canções são crônicas. Todas as minhas canções são reportagens. A partir do meu olhar evidentemente. Então, isso tudo me dá a sensação de que eu estou, de alguma maneira, fazendo história, através do meu olhar. Eu fico achando que daqui a 100 anos alguém pegue um disco meu e consiga compreender um pouco como era o tempo onde eu vivia.”

Ao relembrar o papel que a música ganhou desde cedo em sua vida, Lenine relata um episódio vivido na infância quando seu pai deu aos filhos o direito de escolher como se conectar com Deus. “A gente acompanhava a minha mãe à Igreja, ela ia à igreja todos os domingos, mas aos 8 anos de idade meu pai permitia aos filhos escolher que maneira se conectar com o divino. Ele dizia: 'Sua mãe prefere a igreja. Papai prefere a música. Vocês escolhem a partir de hoje.' Minha mãe perdeu todos os seus parceiros.”
A partir daí, durante todo o tempo que durava a missa, a família ficava em casa ouvindo música. “Acho que isso foi a minha grande universidade, a minha grande escola de música, que era ouvir bastante.”

Sobre o atual momento vivido no Brasil e no mundo, Lenine diz ter esperanças de que as pessoas aprendam com os próprios erros.

“Eu acho que a humanidade está precisando aumentar a turma do bem. Não é furo jornalístico as coisas que estão fazendo em benefício do ser humano. Só é furo jornalístico, o que dói, o que traumatiza, o que é morte. A gente está num momento com o país vivendo essa descrença generalizada, esse descrédito incrível entre os três Poderes. E isso dá uma angústia muito grande. Mas eu não sou desesperançoso, não. Acho que a gente tem possibilidade de aprender com os erros.”

Lenine diz que percebe a música como um instrumento de transformação. “Eu procuro a cada dia melhorar como ser humano. E eu acho que melhorar significa ter paciência, ouvir o outro”, afirma.

“Eu brinco dizendo que eu faço MPB - Música Planetária Brasileira. É tão bacana quanto compositor ver esse tipo de penetração, esse tipo de profundidade que a música me deu nas pessoas. Eu cheguei à alma das pessoas”.

O programa Conversa com Roseann Kennedy vai ao ar na próxima segunda-feira (16), às 21h30, na TV Brasil.
Edição: Lílian Beraldo

Friday, September 15, 2017

Cultura, Brasília!



Festival de Brasília chega à 50ª edição e homenageia Nelson Pereira dos Santos
  • 15/09/2017 05h56
  • Brasília
Leandro Melito – Repórter do Portal EBC
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais antigo do paísMarcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil





O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais antigo do país, chega à edição de número 50 com homenagem ao cineasta Nelson Pereira dos Santos, que vai completar em outubro 90 anos de idade. O evento será aberto nesta sexta-feira (15) no Cine Brasília, com apresentação dos atores Juliano Cazarré e Dira Paes e participação do também ator Matheus Nachtergaele. Os filmes em competição serão exibidos no Cine Brasília, localizado no Plano Piloto da capital federal, e nas cidades de Taguatinga, Sobradinho, Gama e Riacho Fundo I, regiões administrativas do Distrito Federal.

Na mostra competitiva, nove longas e 12 curtas-metragens de nove estados concorrem ao Troféu Candango. O júri oficial indicará os vencedores nas categorias melhor filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante (somente nos longas), atriz coadjuvante (somente nos longas), roteiro, fotografia, direção de arte, trilha sonora, som e montagem. As categorias de melhor filme recebem prêmios em dinheiro nos valores de R$ 40 mil (longa) e R$ 10 mil (curta) para o Troféu Candango e de R$ 100 mil no Prêmio Petrobras de Cinema.

O público também escolherá o vencedor pelo Júri Popular, que também receberá Prêmio Petrobras de Cinema e R$ 200 mil, valor destinado à distribuição comercial do filme. Este ano, pela primeira vez, os espectadores poderão votar por meio do aplicativo oficial do Festival de Brasília.

A direção artística do festival está a cargo do cineasta, crítico e programador Eduardo Valente. O festival teve um recorde de produções audiovisuais inscritas. Foram 778 filmes entre longas e curta-metragens, 25% a mais do que em 2016.

Homenagem
Nelson Pereira dos Santos, que completa 90 anos em 22 de outubro, será homenageado com a entrega da medalha Paulo Emílio Salles Gomes. Impossibilitado de comparecer ao evento, o diretor de filmes como Rio Zona Norte (1957), Vidas Secas (1963) e Como Era Gostoso Meu Francês (1973) será representado no evento por Diogo (filho) e Mila Dahl (neta).

A medalha será entregue pelo diretor Vladimir Carvalho e pelo crítico Jean-Claude Bernardet, homenageado na edição anterior do festival. Em seguida será exibido o curta-metragem Nelson Filma (RJ, 1971), de Luiz Carlos Lacerda.

A abertura do festival também fará uma homenagem póstuma a três nomes da cinematografia brasiliense: Marcio Curi, Manfredo Caldas e Geraldo Moraes, com a exibição de dois curtas-metragens: Quando Márcio Virou Estrela (DF, 2017), de André Luís Oliveira, em homenagem a Márcio Curi e Manfredo Caldas; e Um Cineasta no Coração do Brasil (DF, 2016), homenagem a Geraldo Moraes dirigida por Bruno Torres, seu filho.


O diretor Vladimir Carvalho foi homenageado durante o 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil

Mostra Competitiva
A seleção dos filmes que disputam a Mostra Competitiva demostra a diversidade estética do Festival, com representantes de vários estados de diferentes regiões do país. Os longas selecionados foram Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans (MG); Café com Canela, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA); Construindo Pontes, de Heloisa Passos (PR); Era uma Vez Brasília, de Adirley Queirós (DF); Música para Quando as Luzes se Apagam, de Ismael Caneppele (RS); O Nó do Diabo, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi (PB); Pendular, de Julia Murat (RJ); Por Trás da Linha de Escudos, de Marcelo Pedroso (PE); e Vazante, de Daniela Thomas (SP).

Os curtas-metragens selecionados para a Mostra Competitiva são A Passagem do Cometa, de Juliana Rojas (SP); As Melhores Noites de Veroni, de Ulisses Arthur (AL); Baunilha, de Leo Tabosa (PE); Carneiro de Ouro, de Dácia Ibiapina (DF); Chico, dirigido por Irmãos Carvalho (RJ); Inocentes, de Douglas Soares (RJ); Mamata, de Marcus Curvelo (BA); Nada, de Gabriel Martins (MG); O Peixe, de Jonathas de Andrade (PE); Peripatético, de Jessica Queiroz (SP); Tentei, de Laís Melo (PR); e Torre, dirigido por Nadia Mangolini (SP).

Além da entrega do Troféu Candango, um dos mais prestigiados prêmios do cinema brasileiro, o Festival de Brasília traz uma novidade: o pagamento de R$ 340 mil em cachês de seleção, distribuídos entre todos os filmes selecionados, a exemplo do que ocorre em grandes festivais nacionais e ao redor do mundo. O cachê de seleção para os longas-metragens é R$ 15 mil, para a sessão Hors Concours é R$ 10 mil e para curtas-metragens é R$ 5 mil. Nas mostras paralelas, os longas receberão R$ 3 mil cada.

Histórico
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro vira um cinquentão no ano em que se completam 40 anos da morte de um de seus criadores, o crítico e escritor de ficção Paulo Emílio Salles Gomes.

Após participar da criação do curso de audiovisual da Universidade de Brasília ao lado de Jean-Claude Bernardet e Nelson Pereira dos Santos em 1964, Gomes foi chamado pela Fundação Cultural do Distrito Federal a integrar uma comissão de intelectuais que fundaram a 1ª Semana do Cinema Brasileiro, feita em 1965 para um público de 2 mil pessoas, com uma composição social “diversa da que se encontra no Rio ou em São Paulo”, segundo registrou em um artigo publicado à época.

“Há na capital um núcleo sólido, estruturado nos cursos de apreciação cinematográfica, mas o número maior de espectadores da semana se recrutava em setores tradicionalmente indiferentes, desconfiados ou mesmo hostis ao cinema brasileiro. O fenômeno de Brasília foi o da conversão em massa. A nota dominante dos comentários era a surpresa, o espanto, a estupefação”, escreveu apontou Gomes no artigo Novembro em Brasília.

Foi a primeira edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que viria a ganhar esse nome na sua terceira edição em 1967. O festival foi interrompido pela ditadura militar entre os anos de 1972 e 1974, teve sua retomada em 1975 e, desde então, ocorre anualmente.
Edição: Fábio Massalli