Wednesday, January 31, 2018

É de Minas



O filme Baixo Centro, de Belo Horizonte,vence a Mostra de Cinema de Tiradentes 



  • 29/01/2018 15h44
  • Tiradentes (Minas Gerais)
Léo Rodrigues - Enviado especial*
Encerrada neste fim de semana, a 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes premiou filmes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, produções audiovisuais de 14 estados e do Distrito Federal foram exibidas no evento.

A Mostra Aurora, um dos principais atrativos do festival, reúne longas-metragem de diretores em início de carreira e o prêmio é concedido por um júri formado por críticos. O vencedor foi o filme Baixo Centro, de Ewerton Belico e Samuel Marotta. Trata-se de uma produção de Belo Horizonte ambientada no centro da capital mineira.

Na disputa da Mostra Foco, o curta-metragem Calma, produção do Rio de Janeiro dirigida por Rafael Simões, foi o agraciado pelo mesmo júri de críticos. Já na Mostra Olhos Livres, o longa-metragem paulista Inaudito, de Gregorio Ganarian, foi o eleito pelo júri jovem, composto por universitários que foram selecionados a partir da participação de uma oficina.

Saiba Mais
O público também pode escolher os seus prediletos. A votação popular consagrou o curta-metragem mineiro A Retirada para um Coração Bruto, de Marco Antônio Pereira, e o longa Escolas em Luta, documentário paulista de Eduardo Consonni, Rodrigo Marques e Tiago Tambelli.

Por fim, o Troféu Helena Ignez ficou com Júlia Katharine, roteirista e protagonista do longa-metragem Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre. Criado no ano passado, o prêmio é destinado a uma mulher que tenha atuado na produção de obras concorrentes da Mostra Foco e da Mostra Aurora. A agraciada precisa ter destaque em funções como direção, direção de fotografia, montagem, roteiro, entre outras.

Chamado realista
Neste ano, a Mostra de Tiradentes ocorreu entre 19 e 27 de janeiro e celebrou os 300 anos de Tiradentes (MG). A programação contou com 102 filmes, sendo 72 curtas-metragem e 30 longas. Além das sessões cinematográficas, o público teve a oportunidade de acompanhar diversos debates, intervenções e performances artísticas, apresentações musicais e outras atividades, todas gratuitas.

Em sua 21ª edição, o festival produzido pela Universo Produções, com apoio do Ministério da Cultura, se debruçou sobre a temática chamado realista. A mostra também homenageou o ator Babu Santana e deu destaque às discussões sobre a presença dos negros no audiovisual brasileiro.
* O repórter viajou a convite da organização do festival
Edição: Valéria Aguiar
 

Sunday, December 24, 2017

Madrugadas solitárias, de confissão e ausencias, de reais necessidades



MADRUGADAS MOLHADAS

Úmidas madrugadas









Amo todas as madrugadas.  É renovação
É esperança
E reflexão
De segundos, de vidas.
Amo e detesto as madrugadas
Solitárias ( um dia pesam)...
Adoro as madrugadas molhadas
Com chuva ou sêmen
Discretas
Sussurradas
Duras
Viradas
Amo as madrugadas molhadas

Assusta-me cada vez mais as madrugadas solitárias
E eu sem entender como
Mesmo após tantos anos elas insistirem em serem solitárias
E eu viver todas tão conformado
Sem você ao meu lado.

Mesmo sozinho e cada vez mais compreendendo que jamais terei você ao meu lado
Amo as madrugadas, todas.
Especialmente as molhadas
Gemidas
Chuvarentas
Porque me permitem lembrar a felicidade
A renovação e a continuidade
Amo estar ainda lucido; vivo
e mesmo solitário

Vivendo mais um amanhecer
Mesmo que molhado



Amo esse poema. Como autor reflito um sentimento que sempre temi, desde jovem, adolescente. Nasci para ser solitário, viver casos perdidos, relações pela metade, explorações ocasionais e oportunistas. Nesse momento estou miseravelmente só, o dia inteiro sem uma palavra. Acho ótimo, mas hoje estou triste por estar vivendo mais um dia molhado, seria só grana a vida?

Tuesday, October 31, 2017

Salve Minas



Exposição mostra parceria entre Ziraldo e Drummond e marca aniversário do poeta

  • 31/10/2017 05h47
  • Rio de Janeiro
Paulo Virgilio - Repórter da Agência Brasil

 Estátua de Drummond na Praia de Copacabana -Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil







Entre 1979 e 1981, o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) publicou, na coluna que mantinha no Caderno B do Jornal do Brasil, frases relâmpago cheias de humor que retratavam, de forma crítica, o país na época, e às quais deu o nome de “pipocas”. Admirador e amigo do poeta, o escritor e caricaturista Ziraldo percebeu que as sátiras eram charges em potencial, faltando apenas associar desenhos às palavras.

Os dois autores concordaram em juntar texto e traço, e dessa união resultou o livro O pipoqueiro da esquina, publicado em 1981 pela editora Codecri. Trinta e seis anos depois, a parceria entre o poeta e o chargista, ambos mineiros, é lembrada pelo Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro (IMS Rio), que inaugura nesta terça-feira (31), dia do aniversário de Drummond, uma exposição com 30 dos desenhos originais guardados por Ziraldo em seu ateliê.

Saiba Mais
A mostra O pipoqueiro da esquina apresenta também bilhetes, cartas, poemas e outras peças que contam um pouco da amizade entre os dois mineiros. A curadoria é de Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS, e o projeto expositivo da cenógrafa e cineasta Daniela Thomas, filha de Ziraldo.

Para Eucanaã Ferraz, o senso de humor é uma das marcas que definem a escrita de Carlos Drummond de Andrade, desde sua estreia em livro, com Alguma poesia (1930). Do mesmo modo, a atenção voltada para o fato cotidiano, como atestam versos do poema Mãos dadas: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.

“Esse desejo radical de compreensão do seu tempo e dos seus contemporâneos faz ver o espírito de cronista que ganhou corpo numa ininterrupta colaboração com a imprensa”, diz o curador. Ele lembra que Ziraldo, por sua vez, sempre foi um apaixonado pela literatura, como comprova sua brilhante carreira de escritor.

“A parceria dos dois oferece-nos, sobretudo, retratos de um certo Brasil - alguns, sob muitos aspectos, infelizmente, atual, mas é também um elogio à amizade, ao diálogo e à liberdade”, resume Eucanaã Ferraz.

Antes da abertura da exposição, às 19h, para convidados, haverá, das 16h às 18h, a atividade Arquiteturas de si, em torno dos poemas de Drummond e a casa do IMS Rio. A partir da leitura de poemas e de uma visita à casa, os participantes poderão criar uma arquitetura de si mesmos, relacionando conteúdos subjetivos e concretos. A atividade é gratuita e para pessoas a partir de 14 anos.

A exposição O pipoqueiro da esquina fica em cartaz até 18 de fevereiro de 2018 e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 11h às 20h. O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro fica na Rua Marquês de São Vicente, 476, na Gávea, zona sul da cidade.
Edição: Davi Oliveira