Showing posts with label Novo Mundo.. Show all posts
Showing posts with label Novo Mundo.. Show all posts

Friday, June 04, 2021

´´Zuenir ventura ´´ não posso ser feliz em um pais onde e um cemitério.

 Faço 90 feliz, mas não posso ser feliz num país que é um cemitério, diz Zuenir Ventura

Faço 90 feliz, mas não posso ser feliz num país que é um cemitério, diz Zuenir Ventura


O jornalista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras faz aniversário nesta terça-feira (1º) e se diz dividido

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Prestes a fazer 90 anos, Zuenir Ventura se contenta com o terraço de seu apartamento no Rio de Janeiro para suas caminhadas diárias. "Se tive alguma ideia, foi andando no calçadão", diz ele, sobre seus passeios antes da pandemia.

Exercícios frequentes e alimentação saudável são os ingredientes para chegar aos cem, segundo um livro que tem em sua cabeceira. O jornalista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras faz aniversário nesta terça-feira (1º) e se diz dividido.

Não tem do que reclamar no aspecto pessoal, está melhor agora do que na juventude, mas não pode dizer que é feliz. "Não se pode ser totalmente feliz num país que é hoje um cemitério."

Ele acaba de lançar uma edição ampliada de "Minhas Histórias dos Outros", pela Objetiva, no qual escreve sobre personalidades com as quais conviveu, como Manuel Bandeira, ainda na faculdade, e narra sua relação com Genésio Ferreira da Silva, a testemunha do assassinato de Chico Mendes que ele acolheu em sua casa dos 13 aos 21 anos depois de o conhecer durante a cobertura do caso, no Acre.

Em entrevista por telefone, Zuenir Ventura fala sobre a defesa da floresta hoje, a CPI da pandemia, velhice e 1968, o ano utópico ao qual ele dedicou seu já clássico "1968: O Ano que não Terminou".

PERGUNTA - O senhor tem acompanhado a CPI da pandemia? O que tem achado?

ZUENIR VENTURA - Sim. A CPI é um retrato dos tempos de hoje. Eu vivi os tempos dourados, de Juscelino, rebeldes, os anos de chumbo e agora são os anos descarados, do cinismo e do deboche. Não por acaso está tendo uma grande audiência.

Na ditadura, você tinha a hipocrisia, e agora você tem o cinismo. Debocha-se da saúde, da vida. A CPI é o retrato desta época em que se mente tranquilamente.

É uma época muito difícil. Estamos vivendo um acúmulo de crises -ética, econômica, na saúde.

É possível ver um lado positivo deste momento?

ZV - Pessoalmente, não posso reclamar da vida. Vou fazer 90 anos feliz, sem doença, cercado de amigos, de netos, de uma família maravilhosa. Mas não se pode ser totalmente feliz num país que é hoje um cemitério.

Você abre o jornal e só tem acréscimo de morte. Aqui no Rio são mais de 50 mil cadáveres. No plano pessoal, não tenho do que reclamar, mas não posso beijar, não posso abraçar. Não vejo nada positivo, a não ser a solidariedade, as pessoas fazendo doações. Esses gestos me dão, eu não digo alegria, mas um conforto.

Não se pode dizer "ótimo, maravilha, estou salvo". Estou perdendo amigos, pessoas conhecidas. É um momento distópico, para falar o mínimo.

Como o senhor chega aos 90 anos?

ZV - Estou dividido. Sou mais feliz na velhice do que era na juventude. Eu era muito feio, magro, pobre, inseguro, não arranjava namorada.

Todos estão deprimidos, eu também. Estou vivendo uma contradição. Estou feliz, mas ninguém pode estar completamente feliz agora. Passei por várias crises, por vários momentos difíceis, suicídio de presidente, renúncia, deposição, fui preso na ditadura -não fui torturado, mas amigos foram.

Mas estamos vivendo todas as crises num momento só. Durante a ditadura, o Chico Buarque cantava que "amanhã vai ser outro dia", mas hoje não se sabe quando vai ser outro dia, nem se vai ser. Esse vírus é traiçoeiro. E olha que sou acusado de ser otimista pelos meus amigos. O brasileiro é um ser esperançoso. Eu espero, torço. Esperança a gente tem; é a última que morre, citando o lugar-comum.

O ministro da Economia reclama que todos querem chegar aos cem anos. A alternativa é não chegar. Para os economistas e tecnocratas, a velhice é um peso morto, como se não servíssemos para nada. Somos imprestáveis.

O problema da velhice não é a idade, é a saúde. Sem saúde, você é infeliz até aos 20 anos. Não se pode estigmatizar a velhice, depende muito do estado em que se chega. É mais fácil elogiar a primavera do que o outono, mas vejo muita beleza no pôr-do-sol. Quando se está com a vista boa, né?

O senhor cobriu extensivamente o caso Chico Mendes. Mais de 30 anos depois, como avalia a causa da defesa da floresta?

ZV - Regredimos. Um dos dramas deste governo é esse ministério [do Meio Ambiente]. Para mim, não é surpresa. Na primeira entrevista que vi com ele [Ricardo Salles], ele dizia que Chico Mendes não tinha a menor importância.

O Chico inscreveu na agenda planetária a importância da Amazônia, e morreu por ela. Mas ele [Salles] está ali porque o presidente acha que isso é uma frescura. Se ele não for punido pela Justiça, ele não vai ser pelo governo, porque ele representa a vontade do presidente.

A cada momento se descobre mais derrubada da floresta, os números se superam. A situação é péssima. Não mataram ninguém como Chico Mendes até agora, mas a situação não melhorou.

Que ideias restam de 1968?

ZV - O ano de 1968 deixou dois legados que eu exalto, o da paixão pela causa pública e a ética. O movimento foi planetário, mas a geração brasileira foi a que mais sofreu. Uma geração muito especial. Eles tinham uma certa prepotência, achavam que quem sabe faz a hora, não espera acontecer. E a história não é feita com a sua vontade.

E como avalia a geração jovem de hoje?

ZV - Antes havia "a" geração; hoje cada grupo é uma geração. A geração da internet é uma coisa, a geração da favela é outra. A sociedade é muito segmentada. O jovem da favela é muito diferente em relação às dificuldades, ao estudo, ao trabalho, do jovem da zona sul. Temos uma cidade, o Rio de Janeiro, que é uma metonímia do país, em que há uma divisão social muito grande.

A distância entre as classes sociais aumentou. Não melhorou a cidade partida [título do livro de Zuenir de 1994]. E com um agravante, a milícia, que foi celebrada de início porque achavam que acabaria com a violência, com o tráfico. A milícia hoje está infiltrada em todas as instâncias do poder.

Há semelhanças entre a chacina de Vigário Geral, que deu origem ao 'Cidade Partida', e o massacre recente do Jacarezinho?

ZV - Quando cobri o pós-chacina de Vigário Geral, tinha esperança de ser a última. Mas tivemos mais e vai ter mais, porque a política de segurança do Rio é ultrapassada. Acham que combate às drogas tem que ser uma guerra, como o Nixon achava.

Com essa política retrógrada, de tempos em tempos vai ter chacina. A polícia entra, recolhe meia dúzia de armas, mata um monte de gente. E não existe bala perdida, ela atinge, em geral, inocentes.

O senhor faz parte da Academia Brasileira de Letras desde 2015. Há três cadeiras vazias na instituição. O senhor tem palpites para essas vagas?

ZV - Até disse isso para um candidato outro dia. Na ABL, antiguidade é posto e sou um dos mais recentes ali. Então vou primeiro conversar com a diretoria para saber o que é melhor para a academia, do que ela precisa. Já ouvi falar que ela precisa de mais um filólogo, ou de um médico. E há muitos candidatos.

Acho que a Fernanda Montenegro é um consenso. Só não vai se não quiser. Se ela estiver dividida em se candidatar. Porque as pessoas têm que se candidatar.

Os que me procuraram se decepcionaram, porque não têm que falar comigo. Vou primeiro conversar com a academia, diante dos candidatos. Mas eu não tenho candidato.

Qual sua relação com sua posição de imortal da ABL?

ZV - De fora há essa imagem de que é uma chatice, são 40 velhinhos que se reúnem toda semana para tomar chá, mas é muito divertido. É agradável e tem muito humor. Nós velhinhos temos muito humor. Estou sentindo muita falta, porque a academia fechou e não sabemos quando vai abrir.

O Ferreira Gullar, que resistiu muito à academia, era o primeiro a chegar às reuniões, e disse, antes de morrer, que o programa cultural dele era a academia.

Qual a relevância da imprensa nestes tempos de notícias falsas por todo canto?

ZV - Nesses últimos anos, a imprensa é culpada de tudo. Mas desde a época dos reis madava-se matar o emissário de más notícias. De certa maneira, nós somos esse emissário. Sempre que pode, o presidente diz que é culpa da imprensa. Todo poder tem implicância com a imprensa.

O leitor acha que a gente só publica notícia ruim. Na ditadura, diziam que só publicávamos notícia boa, e era verdade, porque tinha censura.

Certas coisas que se fazem na internet em nome do jornalismo não são jornalismo. O jornalista apura o que vai publicar, e, em muito do que está na internet, a apuração não existe. Apuração é a coisa mais importante da tarefa do repórter.

Não reivindico censura na internet, porque já vimos a censura e sabemos que não serve de nada, mas alguma regulamentação precisava ser feita contra a impunidade. A notícia falsa é uma praga.

Noticias:https://www.noticiasaominuto.com.br/ultima-hora/1809263/faco-90-feliz-mas-nao-posso-ser-feliz-num-pais-que-e-um-cemiterio-diz-zuenir-ventura

Saturday, July 02, 2016

É pura dor e revolta!



Navio Negreiro
Castro Alves (1847 — 1871)






I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta. 
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro... 
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... 
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas... 
Donde vem? onde vai?  Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam, 
Galopam, voam, mas não deixam traço. 
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade! 
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa! 
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos! 
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
.......................................................... 
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa! 
Albatroz!  Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas.
 
II
    
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após. 
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão! 
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir! 
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...
 
III
    
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
 




IV
     
Era um sonho dantesco... o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar... 
Negras mulheres, suspendendo às tetas 
Magras crianças, cujas bocas pretas 
Rega o sangue das mães: 
Outras moças, mas nuas e espantadas, 
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs! 
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente 
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala, 
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais... 
Presa nos elos de uma só cadeia, 
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece, 
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri! 
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..." 
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
          Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
          E ri-se Satanás!... 
 
V
    
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! 
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?   Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!... 
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael. 
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!... 
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer. 
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar... 
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!... 
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...





Esta, que é a parte mais comovente e intensa do poema "Navio Negreiro" vai aqui declamada com brilhantismo por Paulo Autran para o seu deleite
VI
       
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio.  Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... 
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!... 
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
 



É, este é Castro Alves, a lenda, o homem que escreveu esta odisseia terrivel e não consentida. Tremo e choro apenas em lembrar esse poema.