Friday, March 30, 2018

Martim Cererê


MARTIM CERERÊ: JOGADOR DE FUTEBOL

Cassiano Ricardo




O pequenino vagabundo joga bola
e sai correndo atrás da bola que salta e rola.
Já quebrou quase todas as vidraças,
Inclusive a vidraça azul daquela casa
onde o sol parecia um arco-íris em brasa.

Os postes estão hirtos de tanto medo.
(O pequenino vagabundo não é brinquedo...)
E, quando o pequenino vagabundo,
cheio de sol, passa correndo entre os garotos,
de blusa verde-amarela e sapatos rotos,
aparece de pronto um guarda policial,
o homem mais barrigudo deste mundo,
com os seus botões feitos de ouro convencional,
e zás! carrega-lhe a bola!
“Estes marotos
precisam de escola...”

O pequenino vagabundo guarda nos olhos,
durante a noite toda, a figura hedionda
do guarda metido na enorme farda
com aquele casaco comprido todo chovido
de botões amarelos.

E na sua inocência improvisa os mais lindos castelos:
e vê, pela vidraça,
a lua redonda que passa, imensa,
como uma bola jogada no céu.
“É aquele Deus, com certeza,
de que a vovó tanto fala.
Aquele Deus, amigo das crianças,
que tem uma bola branca cor de opala
e tem outra bola vermelha cor do sol:
que está jogando noite e dia futebol
e que chutou a lua agora mesmo
por trás do muro e, de manhã, por trás do morro,
chuta o sol...
  amo esse poema, faz parte do meu imaginário, li quando era criança

Wednesday, January 31, 2018

É de Minas



O filme Baixo Centro, de Belo Horizonte,vence a Mostra de Cinema de Tiradentes 



  • 29/01/2018 15h44
  • Tiradentes (Minas Gerais)
Léo Rodrigues - Enviado especial*
Encerrada neste fim de semana, a 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes premiou filmes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, produções audiovisuais de 14 estados e do Distrito Federal foram exibidas no evento.

A Mostra Aurora, um dos principais atrativos do festival, reúne longas-metragem de diretores em início de carreira e o prêmio é concedido por um júri formado por críticos. O vencedor foi o filme Baixo Centro, de Ewerton Belico e Samuel Marotta. Trata-se de uma produção de Belo Horizonte ambientada no centro da capital mineira.

Na disputa da Mostra Foco, o curta-metragem Calma, produção do Rio de Janeiro dirigida por Rafael Simões, foi o agraciado pelo mesmo júri de críticos. Já na Mostra Olhos Livres, o longa-metragem paulista Inaudito, de Gregorio Ganarian, foi o eleito pelo júri jovem, composto por universitários que foram selecionados a partir da participação de uma oficina.

Saiba Mais
O público também pode escolher os seus prediletos. A votação popular consagrou o curta-metragem mineiro A Retirada para um Coração Bruto, de Marco Antônio Pereira, e o longa Escolas em Luta, documentário paulista de Eduardo Consonni, Rodrigo Marques e Tiago Tambelli.

Por fim, o Troféu Helena Ignez ficou com Júlia Katharine, roteirista e protagonista do longa-metragem Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre. Criado no ano passado, o prêmio é destinado a uma mulher que tenha atuado na produção de obras concorrentes da Mostra Foco e da Mostra Aurora. A agraciada precisa ter destaque em funções como direção, direção de fotografia, montagem, roteiro, entre outras.

Chamado realista
Neste ano, a Mostra de Tiradentes ocorreu entre 19 e 27 de janeiro e celebrou os 300 anos de Tiradentes (MG). A programação contou com 102 filmes, sendo 72 curtas-metragem e 30 longas. Além das sessões cinematográficas, o público teve a oportunidade de acompanhar diversos debates, intervenções e performances artísticas, apresentações musicais e outras atividades, todas gratuitas.

Em sua 21ª edição, o festival produzido pela Universo Produções, com apoio do Ministério da Cultura, se debruçou sobre a temática chamado realista. A mostra também homenageou o ator Babu Santana e deu destaque às discussões sobre a presença dos negros no audiovisual brasileiro.
* O repórter viajou a convite da organização do festival
Edição: Valéria Aguiar
 

Sunday, December 24, 2017

Madrugadas solitárias, de confissão e ausencias, de reais necessidades



MADRUGADAS MOLHADAS

Úmidas madrugadas









Amo todas as madrugadas.  É renovação
É esperança
E reflexão
De segundos, de vidas.
Amo e detesto as madrugadas
Solitárias ( um dia pesam)...
Adoro as madrugadas molhadas
Com chuva ou sêmen
Discretas
Sussurradas
Duras
Viradas
Amo as madrugadas molhadas

Assusta-me cada vez mais as madrugadas solitárias
E eu sem entender como
Mesmo após tantos anos elas insistirem em serem solitárias
E eu viver todas tão conformado
Sem você ao meu lado.

Mesmo sozinho e cada vez mais compreendendo que jamais terei você ao meu lado
Amo as madrugadas, todas.
Especialmente as molhadas
Gemidas
Chuvarentas
Porque me permitem lembrar a felicidade
A renovação e a continuidade
Amo estar ainda lucido; vivo
e mesmo solitário

Vivendo mais um amanhecer
Mesmo que molhado



Amo esse poema. Como autor reflito um sentimento que sempre temi, desde jovem, adolescente. Nasci para ser solitário, viver casos perdidos, relações pela metade, explorações ocasionais e oportunistas. Nesse momento estou miseravelmente só, o dia inteiro sem uma palavra. Acho ótimo, mas hoje estou triste por estar vivendo mais um dia molhado, seria só grana a vida?